segunda-feira, agosto 11, 2008

Para a gente que não me deixa sentir sozinha :)


Disse-te adeus à partida
digo-te adeus à chegada
se quero tudo na vida
já de ti não quero nada.

Disse-te adeus e depois
fiquei no mesmo lugar
o leito de nós os dois
só tem raízes no mar.

Dizer adeus é de diferente
quando to digo baixinho
no meio de tanta gente
é que me sinto sozinho.

António Lobo Antunes, Letrinhas de cantigas (poemas seleccionados)

sexta-feira, agosto 08, 2008

Para aqueles que sentem a poesia

E se eu não te amar mais me
caia o mar nos ombros
me caia
este silêncio pelos ossos dentro.

Me segue os olhos esta sombra
me cerre
esta noite num escuro mais profundo
do que a chuva de ti de mãos tão leves.

A figueira do teu sangue se emudeça
de pássaros à espera dos teus passos
de outra voz por sobre a minha
morta.

E as ruas do teu corpo eu desaprenda
como desaprendi os dedos que me tocam
e se eu não te amar mais me caia a casa
de costa no teu peito como o vento.

António Lobo Antunes, Letrinhas de cantigas (poemas seleccionados)

quinta-feira, agosto 07, 2008

Tears dry on their own

He walks away
the sun goes down,
He takes the day but I’m grown
And in your grey
In this blue shade
My tears dry on their own.

quarta-feira, julho 30, 2008

Fui visitar os meus avós. Trago sempre pormenores, curiosas palavras que contrastam com a rudeza das peles e da vida.
O meu avô pergunta (sempre de sorriso largo e surpreso trato):


-Então, Janiiita! Como vai a viola?

De repente fez-se luz. Eu nunca percebi nada de música... talvez eu não saiba tocar a minha viola...

Palavras sábias...

-Tudo na mesma, Vô. (aos berros)

Mas não. Nunca está tudo na mesma...

terça-feira, julho 01, 2008

Sede...


Há quem diga que está meio vazio.
Há quem diga que está meio cheio.

Eu... só quero bebê-lo.

sexta-feira, junho 06, 2008

domingo, maio 25, 2008

Há amores assim (clicar no título)

Há amores assim
Que nunca têm início
Muito menos têm fim
Na esquina de uma rua
Ou num banco de jardim
Quando menos esperamos
Há amores assim

Não demores tanto assim
Enquanto espero o céu azul
Cai a chuva sobre mim
Não me importo com mais nada
Se és direito ou o avesso
Se tu fores o meu final
Eu serei o teu começo

Não vou ganhar
Nem perder
Nem me lamentar
Estou pronta a saltar
De cabeça contra o mar

Je tÂ’aime je tÂ’adore
Um amor nunca se escolhe
Mas sei que vais reparar em mim
Yo te quiero tanto
E converso com o meu santo
Eu rezo e até peço em latim

Há amores assim
Que nunca têm início
Muito menos têm fim
Na esquina de uma rua
Ou num banco de jardim
Quando menos esperamos
Há amores assim

Não vou medir
Nem julgar
Eu quero arriscar
Tenho encontro marcado
Sem tempo nem lugar

Je tÂ’aime je tÂ’adore
Um amor nunca se escolhe
Mas sei que vais reparar em mim
Yo te quiero tanto
E converso com o meu santo
Eu rezo e até peço em latim

Je tÂ’aime je tÂ’adore
Um amor nunca se escolhe
Mas sei que vais reparar em mim
Yo te quiero tanto
E converso com o meu santo
Eu rezo e até peço em latim

Não demores tanto assim
Enquanto espero o céu azul
Cai a chuva sobre mim
Não me importo com mais nada
Se és direito ou o avesso
Se tu fores o meu final
Eu serei o teu começo

Quando te encontrar sei que tudo se iluminará
Reconhecerei em ti meu amor, a minha eternidade
É que na verdade a saudade já me invade
Mesmo antes de te alcançar
É a sede que me mata
Ao sentir o rio abraçar o mar

Je tÂ’aime je t'adore
Um amor nunca se escolhe
Mas sei que vais reparar em mim
Yo te quiero tanto
E converso com o meu santo
Eu rezo e até peço em latim

Sem lágrima caída
Sou dona da minha vida
Sem nada mais nada
De bem com a vida

quinta-feira, maio 01, 2008

Feriado - The 1st

... e porque neste dia é dia de manifestações, reinvidicações e canções e outras coisas acabadas em ões como balões, sifões e mandriões, aqui deixo aquele que para mim será certamente o CD português de 2008. Apresento-vos Deolinda. Pequenas crónicas de humor refinado, crítica mordaz, caricato delicioso. Somos nós, portugueses. Fomos e ainda somos e ai de nós! se assim deixarmos de o ser.

Sem canções tristes, sem guitarra clássica, sem vestido preto, sendo Fado sem ser.

Aquele que é (palavras de Ana Bacalhau, voz) o "próximo hino Nacional" por mostrar tão bem o nosso espírito portuguesinho e portuguesão!

MOVIMENTO PERPÉTUO ASSOCIATIVO
Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!


Agora não, que é hora do almoço...
Agora não, que é hora do jantar...
Agora não, que eu acho que não posso...
Amanhã vou trabalhar.

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!

Agora não, que me dói a barriga...
Agora não, dizem que vai chover...
Agora não, que joga o Benfica
E eu tenho mais que fazer...

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!

Agora não, que falta um impresso...
Agora não, que o meu pai não quer...
Agora não, que há engarrafamentos...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...

Espero já lá estar, quando chegarem... para vos receber ;)

terça-feira, abril 29, 2008

sábado, abril 26, 2008

letra falsa amiga sentida

É só isso Não tem mais jeito Acabou, Boa sorte Não tenho o que dizer São só palavras E o que eu sinto não mudará Tudo o que quer me dar É demais, é pesado Não há paz Tudo o que quer de mim Irreais Expectativas desleais That's it There is no way It's over Good luck I have nothing left to say It's only words And what l feel Won't change Tudo o que quer me dar (Everything you want to give me) É demais (It too much) É pesado (It's too heavy) Não há paz (There's no peace) Tudo o que quer de mim (All you want from me) Irreais (Isn´t real)Expectativas (Expectations) Desleais Mesmo, se segure Quero que se cure Dessa pessoa que o aconselha Há um desencontro Veja por esse ponto Há tantas pessoas especiais Now even if you hold yourself I want you to get cured From this person Who advises you There is a disconnection See through this point of view There are so many special people in the world So many special people in the world... in the world All you want all you want Now we're falling (falling), falling (falling) into the night (into the night), Falling (falling), falling (falling) into the night (bom encontro é de dois), Now we're falling (falling), falling (falling) into the night (into the night), Falling (falling), falling (falling) into the night.

Cavalgando... ó cavalos confusos e salteadores... onde estão vocês de volta no meu coração?

sexta-feira, abril 25, 2008

Tomo a liberdade de nada escrever pelo meu punho

"Quando, alguma vez, a liberdade irrompe numa alma humana , os deuses deixam de poder seja o que for contra esse homem."
-
Sartre

"O homem verdadeiramente livre apenas quer o que pode e faz o que lhe agrada."
-
Jean-Jacques Rousseau

"Liberdade é pouco, o que desejo ainda não tem nome."
-
Clarice Lispector
"E conhecereis a Verdade e essa vos libertará"
-
Jesus Cristo

"O homem está condenado a ser livre."
-
Sartre

"...Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda..."
- Cecília Meireles

"A cada instante temos a liberdade de escolher, e toda escolha determina o sentido de nossas vidas."
-
Olivia Hoblitzelles

"A renúncia é a libertação. Não querer é poder."
-
Fernando Pessoa

"Nunca se pode concordar em rastejar, quando se sente ímpeto de voar."
-
Helen Keller
"A liberdade é incompatível com o amor: um amante é sempre um escravo."
-
Marguerite de Launay
"De nada adianta a liberdade, se não temos a liberdade de errar
"Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência."
-
Liev Tolstói
"Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela."
-
Bernard Shaw

"A mais alta forma de liberdade traz consigo a maior medida de disciplina e humildade."
-
Gandhi

"A liberdade é difícil de se alcançar, mas o que fazer com a liberdade é muito mais difícil."
-
André Gide
"A liberdade começa onde acaba a ignorância."
-
Victor Hugo

"O homem nasceu livre, e em toda parte se encontra sob ferros."
-
Rousseau
"A verdadeira liberdade é um acto puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão."
-
Massimo Bontempelli


"Não tem liberdade quem não tem sede dela."
-
Rafael Alberti
"A liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadoras."
-
Carlos Drummond de Andrade

"O único meio de criar homens livres é educá-los, outro modo ainda não se inventou, e com certeza nunca se inventará."Olavo Bilac
"A liberdade é uma conquista de cada dia."
-
A. Dese

"É belo modelar uma estátua e dar-lhe vida, mas é sublime modelar uma inteligência e dar-lhe liberdade."
-
Victor Hugo
... é como um cavalo que corre...

segunda-feira, abril 21, 2008

Vertigem copiada

Palavras que reli(a) tantas vezes... que me escapavam e sempre vivi no medo de me escaparem. Porque gosto de palavras, de as tratar bem, de não me parecerem (nem de longe) difusas. Porque, não (a mim!), podem (a)parecer. Se parecem, escondo-as em mim, resguardo para que um dia o sentido sobressaia, para que, não percebendo à primeira, possa debruçar-me melhor, ler por partes, por fragmentos, (como tantas vezes li assim as mensagens), por ideias e aquelas que julgo ter e concordar e que afinal nunca sequer passaram no meu mundinho... Mundão. Nesta vertigem que me foi apresentada, uma espiral em que entrava e sonhava e que muitas vezes me punha sem sentido e até estonteada. Nunca percebi tal estonteamento. Percebo agora. Nunca foi mau... talvez eu não tenha percebido bem. Talvez nem valha a pena pensar nisso. Talvez agora chegue de talvez que me atrofiam, bloqueiam. Talvez seja só eu que me bloqueie. Sou sim.
Palavras tantas descuidei. Por não as usar, por as usar mal, por (as) usarem por mim.
Hoje sento-me aqui, invariavelmente sem imaginação, com tantas palavras que quero despejar para acompanhar todos os dias, os dias-sim, dias-não, porque me faz chegar mais perto de mim, porque me distancia de mim,porque me confunde e esclarece, porque quero acreditar que despejando a confusão para fora ela não se mantém cá dentro!
Ah, vã ilusão!...

"O que difere algo deliberado de algo circunstancial, é que este é um pleonasmo. Pois tudo é uma circunstância, mesmo o que se sente. (eu diria, principalmente o que se sente, JV) São as condições da possibilidade (as possibilidades perigosas de que nos tornamos dependentes), o algo conjuntural e o seu algo voluntário (a conjuntura que tornámos voluntária, o tornarmo-nos voluntários da própria conjuntura), que tornam o possível em existente. E é esta a liberdade que possuímos, irredutivelmente, que nos faz pensar que temos uma riqueza concreta e individual (e que aliada a essa riqueza que tem de ser liberta, concreta individual, pasme-se! tem de ser ainda responsável, eticamente aceite, muito satisfatória, de luta constante) que podemos mudar as coisas e que o ir sendo não deve perder-se na trituração do quotidiano (oh, mas que medo me assola a este respeito. Sabe-lo bem! A mediania, o ir-indo. E depois o querer ser simples nesta complicada normalidade). Mas antes com instantes-limite, por pequenos fenómenos da vida alheios à normalidade (a busca que sufoca, por vezes...) A responsabilidade de sermos livres traz a angústia da decisão, porém é ela que nos fosforece para a cognoscibilidade de que existimos (e é esse o meu consolo e o meu suspiro último, o descanso do guerreiro e derradeiro optimismo). A cada instante, decidimos. A cada instante, vivemos. Tudo é circunstância e tudo nesse "tudo" é transformável. Se o mundo é absurdo, a única ordem é a nossa liberdade ("é preciso muito caos interior para parir uma estrela que dança" Nietzche) e, com ela, a existência despojada de culpas circunstanciais (falta-me este último fragmento. Interiorizá-lo, pois então!), pois:"Só por distracção ou imbecilidade ou por crime se não vê ou não deixa ver que ao mesmo homem impende a tarefa ingente e grandiosa de se restabelecer em harmonia ao mundo, para que em harmonia a sua vida lucidamente se realize desde o nascer até ao morrer" Virgílio Ferreira, dedicado a ele e à vida." in Triângulo Vertiginoso, by JCV

Obrigada por me teres dado a (re)conhecer esse autor tão deprimente como se tornam todos aqueles que o acham, como se torna aos meus olhos todo aquele que não o compreende (ai, a minha malícia :))
Já foi em Out 2006: assustadoramente :*