terça-feira, março 30, 2010

"I am the captain of my soul"

É possível fazer sem magoar,
ser sem estragar,
crescer sem lamentar,
ir sem regressar?

A questão eterna: escrevo hoje ou não escrevo?
Escrevo sempre? Escrevo triste? Escrevo demais? Escrevo cedo? Escrevo tarde? Escrevo? Escrevo mais? Escrevo convicta? Escrevo Invicta?


Invictus, William E Henley
(tradução André C S Masini)

"Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.


Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - erecta.


Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.


Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma."

segunda-feira, março 29, 2010

Gosto de janelas. E daquelas que nós abrimos para espreitar.

Mandaram-me esta letra em tempos e guardei-a porque palavras de amigos permanecem por nos chegarem mais do que uma só vez. Mandaram-me para dar força, porque achavam que faria sentido para mim. E fez. E faz.
Sónia (Parabéns!!), manda-me mesmo a música, ou partilha link, pois nem nome sei,nem descobri. E eu prometo que gosto de Mafalda Veiga, dependendo dos dias. Não implica que não goze com a figurinha, não me enoje o Granger a ser fã dela e não rebole a pensar na dupla-perfeita com o João Pedro Pais :)


“Vai caminhando desamarrado
Dos nós e laços que o mundo faz
Vai abraçando desenleado
De outros abraços que a vida dá

Vai-te encontrando na água e no lume
Na terra quente até perder
O medo, o medo levanta muros
E ergue bandeiras pra nos deter

Não percas tempo,
O tempo corre
Só quando dói é devagar
E dá-te ao vento
Como um veleiro
Solto no mais alto mar

Liberta o grito que trazes dentro
E a coragem e o amor
Mesmo que seja só um momento
Mesmo que traga alguma dor
Só isso faz brilhar o lume
Que hás-de levar até ao fim
E esse lume já ninguém pode
Nunca apagar dentro de ti

Não percas tempo
O tempo corre
Só quando dói é devagar
E dá-te ao vento
Como um veleiro
Solto no mais alto mar”

sábado, março 27, 2010

à minha paixão (uma das), à qual quero um dia tornar.
E a inevitabilidade...

sexta-feira, março 26, 2010

Pensear: novo verbo, nova acção

Hoje, o meu último dia oficial de férias, andei. Muito até. Embora seja muito o relativo quando se diz "gostar muito de alguém", "querer muito gelado", "muito tempo"...
Mas gosto de andar, por Lisboa ou qualquer outra cidade mais pacata que continuo a achar que quero viver por uns tempos (muito tempo?), que é outra definição bizarra.

Ser mais uma em Lisboa nem sempre é frio. É tão bom. Vemos rostos e passamos, ou não vemos rostos e eles passam por nós. Porque os rostos que vemos são os que passeiam na nossa cabeça. Os familiares e os menos familiares. Os que recusamos e nos assaltam e os que forçamos a lembrar. Por justiça? O que isto tem de justo?

Almocei com amigos que me serenam, embora o petit gateau me tenha levado a um estado espiritual mais conturbado, e todos sabem como é desanconselhado nesta época =) O Nuno até criou ali uma relação própria com aquele pequenino bolo frágil, deixando-nos às duas a palrar sobre os encantos daquela sobremesa, enquanto o Nuno continuava no seu momento zen!
Depois caminhei até uma amiga que me disse que há conselhos que não se dão, e eu bem sei. Então deu-me os conselhos que se podem dar: "põe-te linda e vai andar um pouco antes do almoço. Passa na Gulbenkian e cheira as flores! Escreve um poema com o que sentes e sorri para o mundo lá fora!".
Para variar tantos outros que não sigo, destes conselhos ousei seguir quase todos: achaste-me bonita :) caminhei não antes mas depois de almoço, o que não deve ser grave, não escrevi um poema, mas comprei um livro de poesia, o que deve de certa forma compensar, e escrevo agora em prosa a minha incapacidade de escrever em poesia em que tu sabes tão bem expressar-te. Só falhei as flores na Gulbenkian mas como ainda tenho aqui em casa, não deve ser grave.
Ahahahaha,
agora olho para o que escrevo e quando escrevo que segui os conselhos mas depois noto que os alterei para o que me conveio mais... Enfim... Faz-me um favor, Andreia! Não me voltes a receber em bata ou eu não me responsabilizo :)
Depois aconselhaste-me uma música de Justin Vernon que iria ajudar em assuntos do coração. E eu disse-lhe que não conhecia e que neste momento o meu coração estava mais com a batida do Justin Timberlake. Adoro estas chalaças das duas. Mas conheci o Vernon. Ou melhor, Bon Iver. Uma feliz descoberta ao som da qual escrevo estas palavras. Bom, como me conheces e saberias o que me acalmaria e levaria à criação. Agora também eu quero ver os quadros que pintaste a ouvi-lo :)

Deixo uma das letras que busquei deste senhor melancólico, como só a melancolia boa pode ser.

Skinny Love, Bon Iver
Come on skinny love just last the year
Pour a little salt we were never here
My, my, my, my, my, my, my, my
Staring at the sink of blood and crushed veneer

I tell my love to wreck it all
Cut out all the ropes and let me fall
My, my, my, my, my, my, my, my
Right in the moment this order's tall

I told you to be patient
I told you to be fine
I told you to be balanced
I told you to be kind
In the morning i'll be with you
But it will be a different "kind"
I'll be holding all the tickets
And you'll be owning all the fines

Come on skinny love what happened here
Suckle on the hope in lite brassiere
My, my, my, my, my, my, my, my
Sullen load is full; so slow on the split

I told you to be patient
I told you to be fine
I told you to be balanced
I told you to be kind
Now all your love is wasted?
Then who the hell was i?
Now i'm breaking at the britches
And at the end of all your lines

Who will love you?
Who will fight?
Who will fall far behind?

Fosga-se que apaixonei-me por esta música...

Entretanto, o novo verbo que adquiri e que é uma nova acção, depois de em tempos incluir o de "amizar", foi PENSEAR.
Que foi o que hoje fiz. Penseei muito. Passear a pensar, ou pensar a passear. Que interessa! É o que me dá prazer fazer... porque se pensentar... adormeço. E a dormir já andamos e nada se passa, tudo se perde.
Menos o descanso.
Foram umas boas férias...

sábado, março 20, 2010

Violetas: novas flores, a Primavera à espreita

Ofereceram-me estas violetas quando completei os 27 anos.
As quatro flores que tinha caíram.
Fiquei triste.
Senti-me insegura.
Achei que não podia nem sabia cuidar (sequer) de uma planta.

No último dia do ano de 2009, liguei à São, maravilhada, e disse: "São, nem imagina, a planta que me deu... quando menos esperei nasceram nove novas flores... Que bom este pensamento de último dia do ano a relembrar que é sempre tempo de recomeçar, renovar e renascer".

À data da foto (28/02) contavam-se 19. Hoje são 24 =)

Recentemente uma mensagem simples que dizia "todos os dias é um potencial recomeço. É a vida".

É a vida... e é a Primavera em mais um ano a lembrar-nos isso!

quinta-feira, março 18, 2010

Quando respirar me tirou o fôlego...

... terá sido o último?














With every waking breath I breathe
I see what life has dealt to me
With every sadness I deny
I feel a chance inside me die

Give me a taste of something new
To touch to hold to pull me through
Send me a guiding light that shines
Across this darkened life of mine

Breathe some soul in me
Breathe your gift of love to me
Breathe life to lay 'fore me
Breathe to make me breathe
For every man who built a home
A paper promise for his own
He fights against an open flow
Of lies and failures, we all know

To those who have and who have not
How can you live with what you've got?
Give me a touch of something sure
I could be happy evermore

Breathe some soul in me
Breathe your gift of love to me
Breathe life to lay 'fore me
To see to make me breathe
Breathe your honesty
Breathe your innocence to me
Breathe your word and set me free
Breathe to make me breathe

This life prepares the strangest things
The dreams we dream of what life brings
The highest highs can turn around
To sow love's seeds on stony ground

Breathe
Breathe
Breathe some soul in me
Breathe your gift of love to me
Breathe life to lay 'fore me
To see to make me breathe
Breathe your honesty
Breathe your innocence to me
Breathe your word and set me free
Breathe to make me breathe

Breathe, Midge Ure

domingo, março 14, 2010

De Senectute...

"Quod est, eo decet uti: et quicquid agas, agere pro viribus"
Cicero, De Senectute (IX)



Só na velhice a mesa fica repleta de ausências.
Chego ao fim, uma corda que aprende seu limite
após arrebentar-se em música.
Creio na cerração das manhãs.
Conforto-me em ser apenas homem.
Envelheci,
tenho muita infância pela frente.

Fabrício Carpinejar

sexta-feira, março 12, 2010

Por que as joaninhas têm pintinhas? (explicação cedida)

«"É uma questão de evolução", afirma Pedro Gnaspini, professor do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da USP. "Às vezes as coisas simplesmente aparecem, e acabam se mantendo nos bichos, por mero acaso ou por seleção natural, quando existe uma importância", explica. Como muitos animais perigosos têm cores berrantes, a joaninha finge que representa perigo com o colorido de seu corpo. As tonalidades costumam estar associadas a gosto ruim, substância tóxica, veneno, mordida forte etc. Por isso "os bonzinhos imitam os malvados para se defender", finaliza Gnaspini.»

segunda-feira, março 08, 2010

Há cem anos queimámos soutiens

Ainda no dia de hoje...
Num jornal diário gratuito li uma crónica sobre este dia ou sobre o "lado mais doce da humanidade" (com direitos de autora ;)).

Depois de textos da Madre Teresa em que nos classifica como a fortaleza e outras frases bonitas e power points batidos, li este texto do Rui... e Zink! Há que rir!


" O que sempre soube das mulheres, mas tive à mesma de perguntar
Tratam-nos mal, mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial-killers e depois queixam-se de que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Perdoam facilmente, mas nunca esquecem. Bebem cicuta ao pequeno-almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São óptimas mães até que os filhos fazem 10 anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. Inventaram o telemóvel ao volante. São corajosas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o seguro morreu de velho e estão muito escaldadas. Fazem-se de inocentes e (milagre!) por esse acto de vontade tornam-se mesmo inocentes. Nunca perdem a capacidades de se deslumbrarem. Riem quando estão tristes, choram quando estão felizes. Não compreendem nada. Sabem que o corpo é passageiro. Sabem que na viagem há que tratar bem o passageiro e que o amor é um bom fio condutor. Não são de confiança, mas até a mais infiel das mulheres é mais leal que o mais fiel dos homens. São tramadas. Comem-nos as papas na cabeça, mas depois levam-nos a colher à boca. A única coisa em nós que é para elas um mistério é a jantarada de amigos - elas quando jogam é para ganhar. E é tudo. Ah, não, há ainda mais uma coisa. Acreditam no Amor com A grande mas, para nossa sorte, contentam-se com pouco." (Rui Zink)

A todas as mulheres que sorriram ou coraram a identificar-se nestas palavras! A todas quantas sentem ainda diferença negativa pelo género, nos locais de trabalho ou no acesso ao mesmo.
A todos os homens que conheço e que ao ler estas palavras (graças a Deus?) são tão gajas quanto nós!

Passo a passo e chego a mulher (ah ah ah)

quarta-feira, março 03, 2010

Em vez de acrescentar dias à sua vida, acrescente vida aos seus dias.
Benjamin Franklin

terça-feira, março 02, 2010

Vácuo, vazio e outros buracos (aos busílis)

Estou mas não posso
Posso mas não vou
Quero mas não sei
Sinto mas não sou
Vou mas depende
Penso mas não estou
Sonho mas não quero
Sei mas voou
Uso mas gosto
Não gosto mas não sei
Quero mas não corro
Sei mas descanso
Logo não é agora
Amanhã cá estarei

(estão cansados? agora imaginem-me a mim...)

Recomeço mas igual
Ando mas fico
Falo mas não digo
Paro mas compro
Não é isso mas não é mais nada
Não compreendem mas não me mexo
Mexo mas não digo
Digo não é nada
Não espero mas não olho
Sigo mas não avanço
Acordo mas não adormeço
Adormeço mas não acordo
Sei mas deixo estar
Sou mas entorpeço
Gosto mas não começo
Sofro mas vou
Não sei mas não posso
Não falo mas não coço...


LIVRA!!!