terça-feira, janeiro 26, 2010

Ressaca Amorosa ()()

Porque teria imaginação para muito mais, porque vou lembrando de mais coisas, porque eu para listas sou boa...

últimas introspecções...

Porque raio, quando vejo o Correio Interno no trabalho, ou quando o carteiro chega a meio do dia, acho sempre que vou ouvir o meu nome?
Porque é que tantas vezes que pergunto a alguém se está tudo bem, me questiono a seguir "e estará bem?"
Porque é que acho que no fundo vai acabar por chegar ou acabar por se revelar uma doce espera?
Porque é que me mantenho à espera mesmo sabendo que não é disso que se trata?


Porque raio se chama ressaca, mas não me dá o inebriamento e boa-disposição de um bafo de mojito? 

Em vez de alheada, ando abana(na)da de consciente...

Porque raio racionalizo ao ponto de rir da ressaca e logo a seguir me desculpo dizendo "mas isto não tem nada de racional" :'(

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Ressaca Amorosa X

Sentir que por dentro ainda está em construção, mas existe uma obra final.
Um pretexto para voltar às anotações, à escrita, à expansão para lá das letras de música.
Uma provocação para
divertir expurgando,
sentir desdramatizando,
rir ironizando,
existir acreditando.



Mas a Joaninha voa ou não voa?

Ressaca Amorosa IX

Dar-me ao desplante (e ao transplante!) de rever fotos (poucas!) e momentos e postais e palavras e mimos na (in)segurança de que não me vai afectar.
Não me vai piorar.
Não me vai atrasar.
Não me vai recuar.



Não vai.
A menos que eu insista em abrir a caixa do correio na esperança de ver mais do que contas e extractos,
na esperança de encontrar um encontro.
A menos que eu insista em fazer um compasso de espera (fechando os olhos, já derrotada) antes de ver de quem é a mensagem mais recente do telemóvel
na esperança de ser mas sem esperar já que seja (neste aspecto estou melhor, já não olho tanto).
Mas que nunca é.


Não vai.
A menos que eu perceba de vez que já não vai. Que já não foi, já não está.

Ressaca Amorosa VIII

Empenhar-me em abrir um livro, um texto, e aperceber-me na quinta linha que o meu pensamento está "para lá de Bagdad"...

Ressaca Amorosa VII

Sair dos locais como se estivesse a ser seguida, com medo de pôr o pé na rua e ser arrebatada com novos pensamentos e novas lembranças que são, afinal, antigos sonhos e presentes desejos.

Ressaca Amorosa VI

Viver na esperança... ainda.

Ressaca Amorosa V

Apesar de os amigos me dizerem que ninguém merece o sofrimento de ninguém, eu continuar a achar que sofrer de amor é o melhor sofrimento que pode existir!
Não vive quem nunca, no final da vida, tiver sentido isso.

Ressaca Amorosa IV

Engolir na TV tudo o que apareça, até o impensável e apreciável em circunstâncias normais, e até às tantas só para não ir consciente para a cama.

Ressaca Amorosa III

Socar-me para não mandar mensagens...





... e no dia seguinte maquilhar-me para ninguém notar as mazelas!

Ressaca Amorosa II

Ver Notting Hill, Love Actually, Avatar, Sherlock Holmes e tantos outros filmes que não têm nada que ver com horta e desejar que o objecto amado visse aquelas mesmos frames com o mesmo sentido que eu. Passar na minha cabeça
" ...será que está a ver este filme e que se lembrou de mim nesta frase e neste momento? Pensou neste momento no mesmo que eu? Terá tirado conclusões,
mudado opiniões,
renovado corações,  
sonhado aspirações
e sentido palpitações...


como eu?"


... Ya... Right!

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Ressaca Amorosa I - Como identificar uma ressaca amorosa?

Estar na natação, ouvir BackStreet Boys e lembrar o objecto amado...


(e a partir daqui
achar que Black Eyed Peas, Ben Harper, Beatles, Adriana Calcanhotto são alguns dos escritores de nós
e a partir daqui
aperceber-me de tudo quanto é ressaca amorosa.

Tudo quanto me diverte, me ridiculariza e me faz aperceber-me do caminho sem fim à vista. Mas certo
e a partir daqui
brincar e somar as vezes em que sou assaltada
de forma completa e estoicamente autorizada.)

sábado, janeiro 16, 2010

Esqueletos no armário

Estava convencida de que tudo tinha ficado em 2009.
Que era bom & possível(!) ficar em 2009. Como outras coisas ficaram (terão ficado?) noutros tempos idos.
Mas não se deve deixar
esqueletos no armário
porque mais cedo ou mais tarde eles voltam. Tenho dado a volta a tudo e arrumado muitas prateleiras,
expulsado outros, quebrado tudo (até a mim...)
Mas há um esqueleto que
está.
Não sai, não entra, não está trancado. Não está escondido, não está enfurecido, não está atarracado.


Está sentado.


Mas não olha para mim.
E eu fico a olhar para ele. Sei que tem de ir com o resto, que tenho de o por a andar, para poder eu voltar a dançar
e caminhar,
mas fico só a olhar para ele,
a desejar que não saia,
não se levante,
não se mexa,
não abandone,
não desista de me assombrar.
Fico.
agarrada ao corpóreo que está agarrado a ele. Não há nada para saber, nem esperar, nem perceber.
Só expulsar.
E com ele tudo o resto.


E se o convidasse para sair?
Mas, desta vez,
do armário...